Muitos bons dias, moçada!
Muita luz pra todos e que o Pai Nosso deixe cair sobre
vossas cabeças todas as bênçãos do céu!
Começou o mês de junho! Mês dos três Santos: Santo
Antônio, São João e São Pedro. Mês de erguer a bandeira do santo de devoção, de
rezar o terço, de fogueira, quadrilha, pipoca, batata doce e quentão.
Quando eu estava aqui, no mundo dos encarnados, esse era
o mês que eu mais gostava. Nas noites frias o céu era lindo e as estrelas
pareciam mais brilhantes espalhadas no negrume do manto celeste. De vez em
quando, uma cadente riscava o céu deixando um rastro de esperança naqueles que
viam e faziam seus pedidos.
Eu era um homem muito simples, semianalfabeto, mas nos
dias de festa dos santos ganhava a minha importância porque era chamado para
puxar o terço. Eu era um rezador dos bons e por isso era disputado nas casas
que faziam a festa em homenagem ao Santo de devoção. E lá ia eu, terço na mão,
chapéu de palha na cabeça por causa do sereno e muita, muita fé no coração.
Casa após casa, até cinco ou seis por noite, rezando e
puxando ladainha, não deixava ninguém na mão. Começava no Santo Antônio com o
menino no braço, o santinho casamenteiro, o santo das moças solteiras que
judiavam um bocado do coitadinho pra conseguir marido.
Depois vinha o São João com o carneirinho no colo.
Esse era o meu preferido. Eu achava lindos os cachinhos do São João e pra ele
eu rezava com mais fervor. Aí, no fim do mês era a vez de São Pedro segurando
as chaves. Esse, eu achava muito sisudo, mas devia ser por causa da
responsabilidade de guardar a porta do céu. E assim, ia eu rezando, puxando a
ladainha e cantando:
“São João Batista, Batista João, suspender bandeiras
com vela na mão. Se João soubesse qual era o seu dia, desceria a terra de tanta
alegria.”
Pra ser honesto, devo dizer que quando terminava a
rezação dos terços, eu já estava um pouco tonto, porque em toda casa que ia
tinha que tomar um gole de quentão pra não fazer desfeita.
Um dia chegou na cidade, um moço que tinha sido
seminarista, muito bem falante, que rezava os terços pelas cartilhas e eu fui
ficando meio esquecido, porque os terços do outro eram mais bonitos, e acho que os
santos gostavam mais.
Eu ainda era chamado, mas pelos amigos mais chegados,
pelos compadres que me tinham grande consideração. Não fiquei magoado, mas um
pouco triste porque o tempo passou e o velho teve que ceder o lugar ao novo.
Essa é a lei.
Agora que estou aqui, bem mais perto dos meus
santinhos queridos, agradeço a Deus por ter me dado a oportunidade de fazer
tanta gente rezar junto.
Então, eu desejo a todos vocês um lindo mês de junho,
com muita festança, sem esquecer das rezas!
Polão, de profissão lixeiro e rezador de terço nas
noites de junho.
*Mensagem psicografada pela médium Dona Cida, em 02 de junho de 2012.
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