segunda-feira, 18 de junho de 2018

A Lição da Aranha





O aprendiz perguntou ao orientador, depois da aula, em torno das dificuldades humanas:
 -Instrutor, onde os motivos pelos quais sempre se multiplicam os obstáculos, diante dos homens, impedindo-lhes a sublimação espiritual? O amigo convidou o discípulo a visitar um casarão próximo, semi-abandonado. Entraram e, numa sala espaçosa, grande aranha se mostrava presa no centro da caprichosa rede de fios, entretecida por ela mesma.

-Vês esta aranha encarcerada no labirinto, feito por ela própria? – indagou o mentor. -Ante o sinal afirmativo do rapaz, o amigo acrescentou: -Observemos. Passados alguns instantes, apareceu jovem auxiliar de serviço, naquela moradia quase desabitada e usando um espanador, desfez o tecido, libertando a aranha, que se deu pressa em esconder sob pesado móvel.  -Voltaremos amanhã para nossos apontamentos – falou o orientador.

No dia seguinte, professor e discípulo regressaram ao casarão e, num aposento diverso, a mesma aranha se apressara no centro de outros fios tecidos por ela própria. Decorridos poucos segundos, a jovem da véspera reapareceu e acabou com a trama, libertando a aranha que se afastou, ocultando-se em antigo móvel desocupado.

 Mais um dia e, pela terceira vez, o instrutor e o aprendiz retornaram ao mesmo local, surpreendendo a mesma aranha no centro de outra complicada rede de fios, criada por ela mesma. A jovem, já conhecida, surgiu e agitando o espanador liberou a aranha que, rapidamente, tomou novo esconderijo sob mala suspensa.

 Foi então que o mentor, dirigindo- se ao rapaz, resumiu a lição, esclarecendo. -Lembrou você que os homens lutam com grandes entraves, no caminho da elevação, mas é preciso reconhecer que a maioria dos nossos companheiros, no plano físico, quase sempre agem à maneira da aranha. O espanador providencial do sofrimento surge a liberta-los das prisões engenhadas e construídas por eles, entretanto, que podemos fazer se eles mesmos se escondem nos hábitos que acalentam e, depois, usando o livre arbítrio, criam novos problemas para eles próprios?

Da obra 'AGORA É O TEMPO' – Espírito: EMMANUEL – Médium: FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER. 

domingo, 3 de junho de 2018

Disciplina


Não nos repugne o verbo obedecer.

Tudo o que constitui progresso e aperfeiçoamento guarda a ordem por base.

Não olvides que a disciplina principia no céu.

As mais sublimes constelações atendem às leis de equilíbrio e movimento.

O sol que nos sustenta a vida no mundo repete operações de ritmo, há numerosos milênios.

A lua que clareava o caminho das mais remotas civilizações da Índia e do Egito efetua, ainda hoje, as mesmas tarefas, diante da Humanidade.

No campo da Natureza, a disciplina é alicerce de toda bênção.

Obedece o solo. Obedece a árvore. Obedece a fonte.

Qualquer construção obedece ao plano do arquiteto que a idealiza.

E, no aconchego do lar, obedecem o piso anônimo, o vaso amigo e o pão que enriquece a mesa.

Na experiência física, a saúde é obra da disciplina celular.
Quando as unidades microscópicas da colmeia orgânica se desarvoram, rebeladas, encontramos os tormentos da enfermidade ou as sombras da morte.

Chamados a servir aos nossos semelhantes no Espiritismo Cristão, em favor de nós mesmos, saibamos cultivar a liberdade de obedecer para o bem, aprendendo e ajudando sempre.

Jamais nos esqueçamos de que Jesus se fez o Mestre Divino e o Soberano das Almas, não somente porque tenha vindo ao mundo, consagrado pelos cânticos das Legiões Celestes, mas também por haver transformado a própria vida, em Seu Apostolado de Amor, num cântico de humildade, obedecendo constantemente a Vontade de Deus.

Taça de luz. Espírito Scheilla. Psicografado por Chico Xavier

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Tarefa do Amor




A tarefa do amor é sublime sementeira que vai deixando pelo caminho os frutos divinos. 

Ora, agradece as benesses de Deus, seu Pai. Não te percas pela vida. Crê na doce presença do Mestre, crê na vida que se modifica a cada respirar. Crê na natureza que se renova. Sois filhos do amor e para o amor foste chamado.

Atenda obediente essa voz que fala de perdão, que toda manhã deseja contigo seguir. E sabes que se for forte, se silenciar, sua alma ouvirá.

Vê quanto amor recebes! Podes sentir o eflúvio a derramar-se sobre ti? É o amor que não vês, mas que sentes.

Aceita-te, assim como o Pai, e por Ele melhoras, para que seu amanhã seja farol a iluminar a criação.

Ama-nos, Jesus.

Espírito Maria Clara


Mensagem psicografada pela médium Evanize Patriota - Domingo, 22 de abril de 2018.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Nas horas mais difíceis




Ainda quando te encontres caído sob o peso de grandes provações, levanta-te e caminha para a frente, cumprindo os teus deveres com fidelidade. 

Ainda mesmo te sintas sozinho nas lutas de cada dia, não desertes do campo de batalha em que a vida te situa, atendendo às tuas necessidades evolutivas. 

Ainda quando te percebas à beira do fracasso, semelhante a abismo que se escancare aos teus pés, não te creias sem forças para continuar, porquanto a Misericórdia Divina a ninguém desampara. 

Ainda mesmo te vejas mergulhado em tristeza, qual se a própria existência carecesse de sentido aos teus olhos, deixa que a esperança prossiga te embalando os sonhos de felicidade. 

Ainda quando te observes incompreendido pelos afetos mais queridos da alma, silencia e espera, aprendendo a renunciar agora para conquistar depois. 

Ainda mesmo te consideres perdido no estranho labirinto dos problemas engendrados pela tua invigilância, não te entregues ao desespero, pedindo aos Céus que te auxiliem a solucioná-los com dignidade. 

Haja o que houver e estejas como estiveres, não te precipites em tuas decisões, de vez que é nas horas mais difíceis que tens oportunidade de provar a ti mesmo o valor da própria fé.

Irmão José 
Livro Confia e Serve - por espíritos diversos
Psicografia de Francisco Cândido Xavier

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Amor e Temor




"O perfeito amor lança fora o temor". 
 (I JOÃO, 4:18.) 


Para que nossa alma se expanda sem receio, através das realizações que o Senhor nos confia, não basta o imperfeito Amor que estipula salários de gratidão ou que se isola na estufa do carinho particular, reclamando entendimento alheio. 

É necessário rendamos culto ao perfeito amor que tudo ilumina e a todos se estende sem distinção. 

O imperfeito Amor, procurando o gozo próprio no concurso dos outros, é quase sempre o egoísmo em disfarce brilhante, buscando a si mesmo nas almas afins para atormentá-las sob múltiplas formas de temor, quais sejam a exigência e o ciúme, a crueldade e o desespero, acabando ele próprio no inferno da amargura e da frustração. 

O perfeito Amor, contudo, compreende que o Pai Celeste traçou caminhos infinitos para a evolução e aprimoramento das almas, que a felicidade não é a mesma para todos e que amar significa entender e ajudar, abençoar e sustentar sempre os corações queridos, no degrau de luta que lhes é próprio.

Para que te libertes, assim, das algemas do medo, não basta te acolhas no anseio de ser ardentemente querido e auxiliado pelos outros, segundo as disposições do Amor incompleto. 

É indispensável saibas amar, com abnegação e ternura, entre a esperança incansável e o serviço incessante pela vitória do bem, sob a tutela dos quais viverás sempre amando, segundo o Amor equilibrado e perfeito pela força Divina que nos ergue triunfante, dos abismos da sombra para os cimos da luz. 

Livro Palavras de Vida Eterna 
Espírito Emmanuel
Psicografia de Francisco Cândido Xavier

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Chico Xavier, À Sombra do Abacateiro


Num sábado de 1981


A lição que passaremos hoje para o papel, não ocorreu propriamente à sombra do frondoso abacateiro onde, habitualmente, Chico Xavier realiza o culto evangélico, em pleno coração da Natureza. O que iremos narrar, tão fielmente quanto possível, ouvimos num sábado à noite no "Grupo Espírita da Prece", logo após o contato fraterno com os irmãos que residem nas imediações da "Mata do Carrinho", o novo local onde as nossas reuniões vespertinas estão sendo realizadas. 

Um casal aproximou-se do Chico; o pai sustentando uma criança de 1 ano e meio nos braços, acompanhado por distinto médico espírita de Uberaba. A mãe permaneceu a meia distância, em mutismo total, embora com alguma aflição no semblante. O médico, adiantando-se, explicou o caso ao Chico: a criança, desde que nasceu, sofre sucessivas convulsões, tendo que ficar sob o controle de medicamentos, permanecendo dormindo a maior parte do tempo; em 8 conseqüência, mal consegue engatinhar e não fala. 

Após dialogarem durante alguns minutos, o Chico perguntou ao nosso confrade a que diagnóstico havia chegado. — Para mim, trata-se de um caso de "autismo" — respondeu ele. O Chico disse que o diagnóstico lhe parecia bastante acertado, mas que convinha diminuir os anticonvulsivos mesmo que tal medida, a princípio, intensificasse os ataques. Explicou, detalhadamente, as contra-indicações do medicamento no organismo infantil. Recomendou passes. — Vamos orar - concluiu. 

O casal saiu, visivelmente mais confortado, mas, segurando o braço do médico nosso confrade, Chico explicou a todos que estávamos ali mais próximos: — O "autismo" é um caso muito sério, podendo ser considerado uma verdadeira calamidade. Tanto envolve crianças quanto adultos... Os médiuns também, por vezes, principalmente os solteiros, sofrem desse mal, pois que vivem sintonizados com o Mundo Espiritual, desinteressando-se da Terra... "É preciso que alguma coisa nos prenda no mundo, porque, senão, perdemos a vontade de permanecer no corpo..." 

E Chico Xavier exemplificou com ele mesmo: - Vejam bem: o que mais me interessa na Terra? A não ser a tarefa mediúnica, nada mais. Dinheiro, eu só quero o necessário para sobreviver; casa, eu não tenho o que fazer com mais uma... Então, eu procuro me interessar pelos meus gatos e meus cachorros. Quando um adoece ou morre, eu choro muito, porque se eu não me ligar em alguma coisa eu deixo vocês. Ele ainda considerou que muitos casos de suicídios, tem as suas bases no “autismo”, porque a pessoa vai perdendo o interesse pela vida, inconscientemente deseja retornar a pátria Espiritual, e para se libertar do corpo, que considera uma verdadeira prisão, forçando as portas da saída. 

E o Chico falou ao médico: — É preciso que os pais dessa criança conversem muito com ela, principalmente a mãe. E necessário chamar o Espírito para o corpo... Se não agirmos assim, muitos Espíritos não permanecerão na carne, porque a reencarnação para eles é muito dolorosa... 

Evidentemente que não conseguimos registrar tudo, mas a essência do assunto é o que esta exposto aqui. E ficamos a meditar na complexidade dos problemas humanos e na sabedoria de Chico Xavier. Quando ele falava de si, ilustrando a questão do "autismo", sentimo-lo como um pássaro de luz encarcerado numa gaiola de ferro, renunciando à paz da grande floresta para entoar canções de imortalidade aos que caíram invigilantes, no visgo do orgulho ou no alçapão da perturbação. 

Nesta noite, sem dúvida, compreendemos melhor Chico Xavier e o admiramos ainda mais. De fato, pensando bem, o que é que pode interessar na Terra, a não ser o trabalho missionário em nome do Senhor, ao Espírito que já não pertence mais à sua faixa evolutiva?! O espírito daquela criança sacudia o corpo que convulsionava, na ânsia de libertar-se... Sem dúvida era preciso convencer o Espírito a ficar... Tentar dizer-lhe que a Terra não é tão cruel assim... Que precisamos trabalhar pela melhoria do homem. 




Autor: Carlos A. Baccelli

terça-feira, 22 de maio de 2018

Amor e Perdão




O texto Evangélico relata que Jesus apareceu materializado a Maria Madalena, após o terceiro dia de sua morte. O diálogo estabelecido entre Ele e Madalena neste acontecimento, está narrado em forma de poema pelo Espírito Maria Dolores, através da psicografia de Francisco Cândido Xavier, sob o título Amor e Perdão do livro Coração e Vida. O final desse diálogo apresentado a seguir, revela o imenso amor de Jesus, que após a sua morte, vai ao encontro de Judas, que se enforcou, ao constatar que o Mestre fora crucificado por culpa de sua insensata ambição política. 

“Senhor, onde estivestes? Mas Jesus Respondeu:
Não Maria, não fui ainda ao alto. Nem me elevei sequer um palmo a luz do firmamento.
Quem ama não consegue achar o céu de um salto. Ao invés de subir aos altos esplendores, desci, mas desci muito aos reinos inferiores.
Despertando no túmulo escutei os gritos de aflição de alguém que muito amei, e que muito amo ainda. Embora visse além a luz sempre mais linda. Sentia nesse alguém um amado companheiro, em crises de tristeza e de loucura. Fui à sombra abismal para a grande procura. E ao reencontrá-lo, amargurado e louco, a ponto de não mais me conhecer. Demorei-me a afagá-lo, e pouco a pouco, consegui que ele enfim, pudesse adormecer.
Senhor? Interrogou Madalena. Quem é o amigo que te fez descer antes de procurar a Luz do Pai?
Mas Jesus replicou em voz clara e serena:
Maria, um amigo não esquece a dor de outro amigo que cai. Antes de me altear a celeste alegria, ao sol do mesmo amor a Deus em que te enlevas. Vali-me após a cruz, das grandes horas mudas, e desci para as trevas, a fim de aliviar a imensa dor de Judas”.

Essa revelação, via mediúnica, esclarecendo onde esteve o Cristo nos três dias após sua morte, fato não registrado no Novo Testamento, demonstra sobretudo, a extensão da infinita misericórdia de Jesus, para todos os sofredores.

Pai, perdoa-os, porque eles não sabem o que fazem!

Espírito Maria Dolores - psicografia de Chico Xavier



A Lição da Aranha

O aprendiz perguntou ao orientador, depois da aula, em torno das dificuldades humanas:   -Instrutor, onde os motivos pelos quais...