segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Prece por aquele que ora aos Anjos guardiães e aos Espíritos protetores





Todos temos, ligado a nós, desde o nosso nascimento, um Espírito bom, que nos tomou sob a sua proteção. Desempenha, junto de nós, a missão de um pai para com seu filho: a de nos conduzir pelo caminho do bem e do progresso, através das provações da vida. Sente-se feliz, quando correspondemos à sua solicitude; sofre, quando nos vê sucumbir.
Seu nome pouco importa, pois bem pode dar-se que não tenha nome conhecido na Terra. Invocamo-lo, então, como nosso anjo guardião, nosso bom gênio. Podemos mesmo invocá-lo sob o nome de qualquer Espírito superior, que mais viva e particular simpatia nos inspire.

Além do anjo guardião, que é sempre um Espírito superior, temos Espíritos protetores que, embora menos elevados, não são menos bons e magnânimos. Contamo-los entre amigos ou parentes, ou, até, entre pessoas que não conhecemos na existência atual. Eles nos assistem com seus conselhos e, não raro, intervindo nos atos da nossa vida.

Espíritos simpáticos são os que se nos ligam por uma certa analogia de gostos e pendores. Podem ser bons ou maus, conforme a natureza das inclinações nossas que os atraiam.

Os Espíritos sedutores se esforçam por nos afastar das veredas do bem, sugerindo-nos maus pensamentos. Aproveitam-se de todas as nossas fraquezas, como de outras tantas portas abertas, que lhes facultam acesso à nossa alma. Alguns há que se nos aferram, como a uma presa, mas que se afastam, reconhecendo-se impotentes para lutar contra a nossa vontade.

Deus, em nosso anjo guardião, nos deu um guia principal e superior e, nos Espíritos protetores e familiares, guias secundários. Fora erro, porém, acreditarmos que forçosamente, temos um mau gênio ao nosso lado, para contrabalançar as boas influências que sobre nós se exerçam. Os maus Espíritos acorrem voluntariamente, desde que achem meio de assumir predomínio sobre nós, ou pela nossa fraqueza, ou pela negligência que ponhamos em seguir as inspirações dos bons Espíritos. Somos nós, portanto, que os atraímos. Resulta desse fato que jamais nos encontramos privados da assistência dos bons Espíritos e que de nós depende o afastamento dos maus.

Sendo, por suas imperfeições, a causa primária das misérias que o afligem, o homem é, as mais das vezes, o seu próprio mau gênio. (Cap. V, item 4.) A prece aos anjos guardiães e aos Espíritos protetores deve ter por objeto solicitar-lhes a intercessão junto de Deus, pedir-lhes a força de resistir às más sugestões e que nos assistam nas contingências da vida.


 Prece

Espíritos esclarecidos e benevolentes, mensageiros de Deus, que tendes por missão assistir aos homens e conduzi-los pelo bom caminho, sustentai-me nas provas desta vida; dai-me a força de suportá-las sem queixumes; livrai-me dos maus pensamentos e fazei que eu não dê entrada a nenhum mau Espírito que queira induzir-me ao mal. Esclarecei a minha consciência com relação aos meus defeitos e tirai-me de sobre os olhos o véu do orgulho, capaz de impedir que eu os perceba e os confesse a mim mesmo. A ti, sobretudo, N..., meu anjo guardião, que mais particularmente velas por mim, e a todos vós, Espíritos protetores, que por mim vos interessais, peço fazerdes que me torne digno da vossa proteção. Conheceis as minhas necessidades; sejam elas atendidas, segundo a vontade de Deus.



Da obra 'O Evangelho Segundo o Espiritismo', Coletânea de Preces Espíritas.

terça-feira, 24 de julho de 2018

Chico Xavier, à sombra do abacateiro l 20 de outubro de 1984




A reunião do dia vinte de outubro (1984), uma vez mais nos trouxe à meditação o item 14, do Cap. V - "Bem-aventurados os aflitos", versando sobre o tema. "O suicídio e a loucura". Apontamentos preciosos de diversos amigos enriqueceram o assunto que se faz tão atual nos dias que atravessamos. O Chico permanecia atento a todos comentários. 

Depois de aproximadamente quarenta minutos, nos quais, quinze companheiros se expressaram, cada um utilizando um tempo médio de três minutos, o sr. Weaker atende à solicitação do nosso Chico que deseja colaborar, falando alguma coisa. 

"Nosso amigo Emmanuel nos pede considerar a necessidade de analisarmos com mais cuidado os problemas da reencarnação... Já vivemos muitas vezes, estamos com as pessoas certas para ajustarmos os nossos corações e solucionarmos os nossos problemas. Muita dificuldade psicológica, muito entrave do caminho vai desaparecendo, quando aceitamos tudo como nossas provações... 

Vemos, na atualidade, a explosão, não vamos dizer o nascimento de uma época nova, mas vemos uma explosão no campo do relacionamento familiar. Nenhum de nós escapa a isso, mesmo os que, atravessamos as mais amplas de vida. Essa mudança nos está afetando a todos. Determinada jovem de dezessete anos assume uma independência; um jovem de dezoito anos pede certas concessões...

Podem estar na condição que o texto lembra...A maior parte dos casos de loucura é provocada pelas vicissitudes que o homem não tem forças de suportar. Estamos ficando sem coragem, enfraquecidos para suportar um filho, um parente que não concorda com a nossa vida, um familiar qualquer, um amigo...

E sofremos, porque temos sensibilidade aguda, mormente nos outros, os que nascemos nesse continente da América do Sul. Nós vemos no Sul, povos de sensibilidade quase que exagerada e essas renovações pesam sobre nós... O suicídio, a toxicomania e tantos outros hábitos menos felizes vão se alastrando e vamo-nos sentindo cada vez mais infelizes... 

Se é desquite, nos alarmamos... Sentimo-nos desrespeitados com, as desvinculações na família. A soma de tudo vem a ser desequilíbrio mental. Precisamos aguentar com valor; precisamos apelar para a necessidade de fortaleza. 

Estamos progredindo muito em assistência social, em compreensão dos problemas dos outros, no campo material da vida, mas são poucos os que se estão organizando para suportar esses chamados choques de família, choques de costumes... Não criamos forças e não queremos criar, porque quando alguém nos fala, ou quando falamos a alguém da resolução de suportar a família, somos taxados sem o brio necessário para viver dignamente. Precisamos de respeito mútuo... (Aqui o Chico se referiu àqueles que, embora os múltiplos problemas familiares, enfrentam tudo com dignidade, não desertando das responsabilidades abraçadas. Hoje em dia, o lar se está desfazendo com facilidade, justamente porque não lutamos para preservá-lo; achamos mais fácil e atraente assumir um novo compromisso, saindo em busca de novidades...) 

O conhecimento da reencarnação nos ajuda e nos auxiliará muito se nos dedicarmos a explicar aos nossos descendentes, desde os primeiros anos de vida, as causas dos sofrimentos, das dores... "Não sofremos para ser vencidos... (o grifo é nosso) Sofremos para superar tudo e viver com a paz no coração e na vida social.

Embora tenha falado poucos minutos, o comentário do nosso querido irmão foi de muita valia, porquanto só o conhecimento da reencarnação poderá explicar-nos com segurança esse chamado conflito de gerações... O lar se encontra ameaçado pelo excesso de liberdade, tanto do homem quanto da mulher, e agora liberdade que os filhos reivindicam muito cedo... Principalmente, na última década, o mundo psicológico das criaturas sofreu transformações marcantes. "

O Chico disse com muita propriedade que nos precisamos organizar para entender melhor, de modo a errar menos, os choques de costumes. Quantas internações hospitalares e quantos suicídios não têm origem na incompreensão que impera dentro do lar?! 

Refletindo nas palavras de Emmanuel, esse devotado companheiro de muitos anos de todos nós, ouvimos a prece final, rogando a Jesus que nos inspirasse no momento de transição deste final de século.  

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Mensagem de Bezerra de Menezes



"Bom dia filhos amados!

Que a paz de Nosso Senhor, seja presente em vossos corações!

Filhos, aonde encontra-se vossa fé, que diante do mais leve dissabor, vacila?

Correm desesperados, se apoiam em soluções vãs, esquecendo das palavras, do aprendizado e dos estudos de tempos a fim.

Filhos, sejais fortes, perseverem diante de vossas provas, estas são certas para vossos ombros, nem mais, nem menos.

Você filho, não sofre mais que seu irmão, o que passas, são consequências de seus próprios atos: os atuais e muitos de uma época que não se recorda.

Sei filhos, que agora vocês refletirão sobre as palavras que lhes dirijo, porém, facilmente as esquecerão passando pela porta da casa que os acolhe.

Urge o tempo filhos, não se iludam!

Sinto muito por vê-los cometer os mesmos  erros há séculos, desperdiçando a bendita oportunidade da reencarnação, infelizmente!

E o tempo, filhos?

Esse, corre, sem volta, impossibilitando o trabalho daqueles que vibram por seu progresso, por sua ascensão.

Despertem, fortaleçam-se no amor do Pai, que estende seus braços sempre aos filhos arrependidos.

O espírito, filhos meus, não volta para trás, ele estaciona e nada mais triste do que parar na evolução e o coração continuar pulsando o sentimento da oportunidade perdida, trazendo saudades e melancolia.

Mas, sempre haverão recomeços sinceros e o Pai os permite.

Que esses recomeços sejam hoje, com esperança, com vontade de vencer, seja hoje o momento de reformular pensamentos e exercitar novas condutas, condutas positivas!

Saiam hoje daqui fortalecidos, firmes no propósito de vencer as más tendências, com sua Fé renovada, com vontade de mudar, de crer, de saber, esforçando para aceitar suas provas, abençoando-as, pois são elas que te promoverão à almas redimidas e 
felizes, prontas a habitarem os mundos regenerados, a verdadeira Pátria do Espírito.

Avante filhos meus!"

Bezerra de Menezes

*Mensagem psicografada pela médium Solange, em 15/07/2018, na Casa do Caminho de Bragança Paulista.

domingo, 15 de julho de 2018

Depressões



Se trazes o Espírito agoniado por sensações de pessimismo e tristeza, concede ligeira pausa a ti mesmo, no capítulo das próprias aflições, a fim de raciocinar. Se alguém te ofendeu, desculpa. Se feriste alguém, reconsidera a própria atitude. Contratempos do mundo estarão constantemente no mundo, onde estiveres. Parentes difíceis repontam de todo núcleo familiar.
Trabalho é Lei do Universo. Disciplina é alicerce da educação.
Circunstâncias constrangedoras, assemelham-se a nuvens que aparecem no firmamento de qualquer clima.
Incompreensões com relação a caminhos e decisões que se adote são empeços e desafios, na experiência de quantos desejem equilíbrio e trabalho.
Agradar a todos, ao mesmo tempo, é realização impossível.
Separações e renovações representam imperativos inevitáveis do progresso espiritual.
Mudanças equivalem a tratamento da alma, para os ajustes e reajustes necessários à vida.
Conflitos íntimos atingem toda criatura que aspire a elevar-se.
Fracassos de hoje são lições para os acertos de amanhã.
Problemas enxameiam a existência de todos aqueles que não se acomodam com estagnação.
Compreendendo a realidade de toda pessoa que anseie por felicidade e paz, aperfeiçoamento e renovação, toda vez que sugestões de desânimo nos visitem a alma, retifiquemos em nós o que deva ser corrigido e abraçando o trabalho que a vida nos deu a realizar, prossigamos à frente.

*Do livro Coragem, por Emmanuel, psicografado por Francisco Cândido Xavier

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Impossível negar







Que é Deus? - Deus é a Inteligência suprema, causa primária de todas as coisas. 

O livro dos Espíritos, questão nº1


Impossível negar a existência do Criador, Causa do Universo e da Vida; à Sua exceção, nada existe que se fez por si mesmo... Na Inteligência Suprema, tudo se origina – Para Ela tudo converge, após cumprir a trajetória evolutiva que está reservada no Cosmos.
Em Deus, tudo preexiste e sobrevive, porquanto o Criador desconhece tempo e espaço.
A vida na matéria densa é uma aventura exterior do Espírito Imortal, numa Incansável busca de si mesmo, até que se reintegre de forma consciente em Deus.
A existência do Criador para a criatura é a prova maior da sua imortalidade!
A vida se transmuda de maneira incessante, porém jamais desaparece; os estados da matéria se depuram até o ponto em que se torne impossível delimitá-la...
Adiante, pois, espírito e matéria se confundem – Emanações aparentemente heterogêneas do Criador.
O acaso, para os homens sobre a Terra, não passa do inexplicável.
Conforme os Espíritos Superiores disse a Kardec, para que o Homem compreenda a natureza íntima de Deus, falta-lhe um sentido....
Somente agora, com o avanço da Ciência e das modernas especulações filosóficas, a humanidade se depara com a grande incógnita do Universo – Até mesmo a chamada física quântica lhe rende tributo, reeditando Pitágoras, um dos maiores gênios da matemática de todos os tempos, que definiu Deus como sendo o número perfeito - O Número 1..
Entre a matemática de Pitágoras e Teologia de João, o Evangelista, que definiu Deus como sendo “Amor”, não há contradição, porquanto o Criador há de ser único.
Deus se mostra presente, nas entranhas da terra, com os vermes que se arrastam no subsolo, tanto quanto com a águia que voa a grandes alturas – Através das pedras e das plantas, dos animais e dos homens, dos espíritos e dos seres angelizados.
O Criador está presente em toda parte. Se as chamada morte algo fizesse desaparecer em definitivo, estaria lesando a natureza, burlando a lei Divina, que nada criou para a destruição.
Deus é Pai e é Mãe, conforme a ideia dos antigos filósofos do Hinduísmo; em Seu hálito Divino, existimos e nos movimentamos, de acordo com a concepção do apóstolo dos gentios...
Ele é o Senhor dos exércitos dos judeus, tanto quanto a força que, na concepção de Haeckel, filosofo materialista, organiza a matéria.
O dinamismo da vida é o dinamismo de Deus, que não cessa de criar e recriar a sua própria obra. A morte é transformação necessária...
Prédios antigos cedem lugar a construções de linhas arquitetônicas mais arrojadas; hoje, inclusive, cultiva-se no deserto e, em breve, serão terras igualmente férteis as grandes geleiras.
Louvemos, pois, na existência de Deus a própria vida Infinita, caminhando sem receio do desconhecido, na certeza de que somos os artífices de nós mesmos! As questões ideológicas em torno da Divindade, fomentada pelos interesses escusos das religiões, aos poucos se esboroarão, e o Tempo, de acordo com o que disse Jesus à mulher samaritana, nos inclinará à reverência de Deus em Espírito e Verdade.

Da obra ‘Se teus olhos forem bons’ pelo Espírito Irmão José, psicografado por Carlos A. Baccelli.

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Usina de Forças




Ama o corpo que te serve de instrumento para o espiritual com respeito e elevação. Através dele, cresces e constróis o mundo de esperança e felicidade, se o conduzes com dignidade e trabalho. Não suponhas que ele seja responsável pela falência dos teus valores éticos, ou pelas sucessivas quedas que te retêm na retaguarda. Considerando-o, prolongar-lhe-ás a existência e finalidade, preservando-o de desgastes desnecessários.
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A fraqueza moral nunca é da carne, mas, sim, do Espírito que a comanda.
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Graças ao corpo, a Humanidade recebeu as belezas da arte superior através de Miguel Ângelo, Rafael, Goya, Rembrandt e, antes deles, Fídias, Praxíteles ou Renoir, Tissot, Manet. Por ele se expressaram, na música divina, Bach, Mozart, Beethoven, Sibelius, Schummann, Carlos Gomes, Villa Lobos, para nos recordarmos apenas de alguns poucos. 
Através dele, o pensamento se humanizou em Sócrates, Platão, Aristóteles, Rousseau, Hegel, Kant… Utilizando-o, Krishna, Buda, Confúcio, Jesus, Allan Kardec, trouxeram ao mundo a canção de beleza da imortalidade em triunfo. Mergulhados nele, Pasteur, Koch, Hansen, Fleming, ampliaram os horizontes da saúde, ao lado de Kraepelin, Griesinger, Freud, Jung, que lutaram pelo reequilíbrio mental e emocional dos homens.
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Conduzindo-o com nobreza, Francisco de Assis, Teresa de Ávila, Vicente de Paulo, mantiveram viva a chama da fé e da caridade.… E milhares de cientistas, filósofos, artistas, poetas, músicos, santos, heróis e lutadores anônimos construíram sob divina inspiração o mundo onde agora respiras.
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Certamente, há muito ainda por fazer. E isto a ti compete realizar, oferecendo a tua quota de engrandecimento.
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Se os vestígios do primitivismo, do qual ele proveio, te induzem à promiscuidade de qualquer natureza ou ao seu rebaixamento moral, sustenta-o na fragilidade com o combustível da temperança, não agindo de forma a perturbar-lhe o equilíbrio ou intoxicá-lo com os miasmas da injunção danosa.
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Se te ocorre ciliciá-lo, a fim de o acalmar, conforme ensinam, erradamente, os atormentados da fé, balsamiza-lhe os impulsos com os medicamentos da prece e os esforços do trabalho que retemperam as energias.
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Se o tombas, por qualquer motivo ou invigilância, não o lastimes nem o recrimines. Simplesmente, levanta-o e evita-lhe repetir o insucesso.
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Se o tens enfermo ou mutilado, acode-o com o otimismo e a confiança em Deus.
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Se o possuis sadio e harmônico, bendize-o com a sua preservação cuidadosa.
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Nem excesso de cuidados, vivendo para ele, nem abandono, desprezando-o à própria sorte. O teu corpo é conquista que alcançaste diante das Soberanas Leis da Vida.
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Torna-o uma usina de forças a serviço do bem e um santuário de bem-aventuranças com possibilidades de alçar-te das cinzas e do lodo da terra aos altiplanos espirituais, onde reinam a felicidade e o amor total.


*Escrito por Divaldo Pereira Franco. Da obra: Momentos de Coragem. Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis. Salvador, BA: LEAL, 1988.
Crédito Foto: Pixabay

sábado, 30 de junho de 2018

Outro sábado de 1981


A tarde mostrava-se fria e chuvosa. Todos estávamos bem agasalhados, contrastando com a fila imensa dos irmãos necessitados que estavam expostos às intempéries, dizendo sem palavras do quanto ainda há por fazer.

As crianças se reuniam em torno de fogueiras improvisadas... Mas, em todos os semblantes existia alegria. Chico, como sempre, contagiava-nos com o seu bom humor. Uma senhora já bastante idosa, moradora do bairro, varou a multidão para beijar aquelas abençoadas mãos. Chico chamou-a pelo nome, perguntou se tudo ia bem. Ela se retirou feliz, falando baixinho: "Ele é um pai pra mim. Quando meu marido morreu foi ele quem cuidou de tudo..."

Cremos que a nossa crônica poderia encerrar-se por aqui, tal o material de reflexão que o depoimento espontâneo daquela irmã nos oferece, mas convém que avancemos. Feita a prece inicial, o "Evangelho" no seu Cap. V — "Bem-aventurados os aflitos", nos chamou a atenção para o item "Motivos de Resignação".

Companheiros vários, são convidados à palavra, pelo tempo de dois a quatro minutos. Esse sistema de comentários, já tivemos oportunidade de analisar, é o que melhor funciona, pois, além de prender atenção dos ouvintes, em quatro minutos é-nos possível sintetizar a mensagem que desejamos transmitir e, depois cada um aborda o tema por prisma diferente.

Após os primeiros comentários, um confrade mencionou a resignação dos primitivos cristãos, testemunhando, nas arenas do sacrifício, a fé nas palavras do Senhor. Citou o romance de Emmanuel "Há Dois Mil Anos" mostrando a vitória da resignação de Lívia ante o orgulho do senador Públio Lentulus... Outro exaltou a excelência da Doutrina Espírita, que nos enseja vários motivos de resignação. 

A palavra de Chico Xavier, aguardada com expectativa, fez-se ouvir agora naquele ambiente de paz. E ele contou uma lenda hindu, em que dois irmãos desejavam conquistar a pureza, seguir a trilha dos "mahatmas"... Combinaram que, depois de vinte anos, ambos deveriam encontrar-se naquele mesmo local. Cada qual seguiu o seu caminho. Um se isolou do mundo, mergulhando na meditação e na prece. O outro voltou para casa, lutando com as dificuldades naturais da família.

O tempo correu. Vinte anos haviam se passado, quando os dois irmãos, fiéis à palavra empenhada, reuniram-se no mesmo lugar. O primeiro, o que se havia isolado, não reconheceu o segundo, tal o estado deplorável de imundície em que se encontrava, estava sujo, rasgado, seguido por um grande séquito de necessitados...

O primeiro exibia uma túnica muito alva e refletia grande segurança. Depois de se identificarem, foram à presença de um Anjo do Senhor, que somaria as dúvidas quanto ao aproveitamento de ambos, nas lutas da Vida. A escolha recaiu sobre o segundo,o que havia voltado para o convívio familiar, expondo-se às tentações.

"Mas, Anjo Bom — disse o primeiro — eu alcancei a pureza máxima, ao passo que o meu irmão traz o joelho ralado pelas sucessivas quedas... Eu consegui atravessar o Ganges sem sequer tocar os pés na água.... O Espírito iluminado, depois de ouvi-lo, falou, melancolicamente: "Ah! meu irmão, para atravessar o Ganges sem molhar os pés, bastaria que você construísse uma pinguela..."

A lição nos tocou bem fundo a alma. Com a prece final, fomos todos dar o nosso abraço de amizade aos irmãos que nos aguardavam, na certeza de que o melhor processo de avançar será sempre trabalhar e esperar.

Livro - Chico Xavier, à sombra do abacateiro
Francisco Cândido Xavier, Emmanuel, Carlos Antônio Bacelli
Editora Ideal

*Resumos de palestras pronunciadas pelo Médium Francisco Cândido Xavier, nos cultos de evangelho e de assistências, aos sábados, em Uberaba, Minas Gerais, sobe inspiração e supervisão de Emmanuel.

Prece por aquele que ora aos Anjos guardiães e aos Espíritos protetores

Todos temos, ligado a nós, desde o nosso nascimento, um Espírito bom, que nos tomou sob a sua proteção. Desempenha, junto de nós, ...